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ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA EXIGE PREPARAÇÃO ESTRATÉGICA DAS EMPRESAS, APONTA RA DA CIC CAXIAS

Reunião-Almoço da CIC Caxias debateu impactos do Acordo Mercosul–União Europeia e reforçou a necessidade de planejamento antecipado das empresas para enfrentar a nova dinâmica competitiva.

02/03/2026 às 00:00

O estágio atual do Acordo Mercosul–União Europeia e seus reflexos sobre tarifas, cadeias produtivas e competitividade estiveram no centro do debate da Reunião-Almoço (RA) promovida pela CIC Caxias, realizada nesta segunda-feira (2), no o MobiCaxias esteve presente. O encontro contou com palestra de Gabriel Martins, diretor sênior de Trade & Customs da Alvarez & Marsal Brasil.

Durante a explanação, Martins apresentou um panorama técnico do acordo, já assinado e com texto concluído, destacando que o bloco econômico envolvido representa um PIB superior a US$ 22 trilhões. Atualmente, o tratado encontra-se na fase de ratificação pelos países da União Europeia e do Mercosul, além de discussões sobre eventual vigência provisória, com avanços previstos ao longo de 2026.

Segundo o especialista, mesmo antes de entrar formalmente em vigor, o acordo já impacta decisões empresariais. O período de transição foi apontado como determinante para redefinir o referencial competitivo entre empresas do Rio Grande do Sul e parceiros europeus. Questões como cadeia produtiva, origem de insumos e planejamento de investimentos precisam ser analisadas desde já.

A desgravação tarifária seguirá cronogramas específicos, com produtos distribuídos em cestas de tempo de 0, 4, 7, 10 e até 15 anos. A União Europeia eliminará tarifas sobre mais de 90% das importações oriundas do Mercosul em até aproximadamente dez anos, enquanto o Mercosul terá prazos mais longos, podendo chegar a 15 anos para bens industriais europeus.

Martins exemplificou a redução gradual de alíquotas em setores como automóveis (35%), máquinas (20%), vinho (18%) e café solúvel (14,4%), ressaltando que a previsibilidade da queda escalonada altera decisões estratégicas desde agora. Ele alertou que aguardar a tarifa zerar para agir é um erro comum. No caso de importadores de máquinas, por exemplo, a curva tarifária previsível até zero em dez anos já influencia decisões sobre investimentos (Capex) e renegociação de contratos.

O acordo desloca o debate do campo exclusivamente tributário para o estratégico. Compras e supply chain passam a ocupar papel central, exigindo reavaliação de fornecedores para capturar benefícios tarifários e redesenho das cadeias produtivas para cumprimento das regras de origem.

Entre as medidas sugeridas estão a simulação das curvas tarifárias por produto, renegociação antecipada de contratos, revisão de fornecedores fora da União Europeia e adequação dos sistemas internos para lidar com tarifas dinâmicas. O cenário também exigirá novos processos de comprovação de origem e compliance contínuo.

O presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, destacou as preocupações com os desafios que o acordo pode impor ao setor produtivo brasileiro, especialmente na Serra Gaúcha. Ele ressaltou a necessidade de adequação de produtos, parcerias e organização interna das empresas, além da importância de o governo brasileiro promover condições estruturais de competitividade diante das diferenças geográficas e de custo em relação aos parceiros europeus.

Para o MobiCaxias, o debate reforça a importância de antecipação estratégica e alinhamento regional, fortalecendo a competitividade de Caxias do Sul e da Serra Gaúcha no cenário internacional e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da cidade que queremos no horizonte do CAXIAS 2040.

 

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