CAXIAS DO SUL: DAS PRIMEIRAS COLÔNIAS À “PÉROLA DAS COLÔNIAS” — A TRAJETÓRIA DA MAIOR CIDADE DE ORIGEM ITALIANA NO RS
Em meio às comemorações dos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul e às vésperas do aniversário de 135 anos de emancipação política de Caxias do Sul, diferentes reportagens dos veículos do Grupo RBS.
Em meio às comemorações dos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul e às vésperas do aniversário de 135 anos de emancipação política de Caxias do Sul, diferentes reportagens dos veículos do Grupo RBS — como Zero Hora e GZH — lançaram luz sobre a rica e multifacetada história da maior cidade da Serra Gaúcha.
Com quase 500 mil habitantes, Caxias do Sul é hoje a segunda maior cidade do Estado. Mas sua trajetória até se tornar esse polo industrial e cultural é marcada por uma sucessão de nomes, transformações e marcos históricos que ajudam a contar a história da imigração italiana no Brasil.
DE “CAMPOS DOS BUGRES” A “CAXIAS DO SUL”
Antes da chegada dos colonos italianos, a região era rota de tropeiros e território ancestral de povos indígenas, como lembra a socióloga e historiadora Vania Herédia no programa Aconteceu no RS, da GZH. A colonização italiana começou oficialmente em 1875, com a criação da Colônia Fundos de Nova Palmira — nome que refletia a posição geográfica ao sul de outras colônias já existentes, como Nova Petrópolis e Nova Palmira.
O núcleo inicial dos imigrantes se estabeleceu na região que hoje corresponde a Nova Milano, atualmente um distrito de Farroupilha. Inicialmente chamada também de Barracão, devido a uma grande construção que servia de abrigo provisório, a colônia viu sua sede transferida para um ponto mais centralizado, facilitando a distribuição dos lotes aos imigrantes. Em 1877, o nome Colônia Caxias foi oficialmente adotado, em homenagem ao Duque de Caxias.
SEDE DANTE E A EVOLUÇÃO URBANA
O crescimento rápido levou à divisão da colônia em três núcleos, em 1880: Caxias, Nova Milano e Nova Trento. O povoado principal, onde funcionavam a Diretoria da Colônia e a Comissão de Terras, passou a ser conhecido como Sede Dante, referência à Praça Dante Alighieri e ao poeta italiano que batiza o local. A Rua Grande, atual Avenida Júlio de Castilhos, consolidou-se como eixo principal da formação urbana, junto à Catedral Santa Teresa.
Segundo a coluna Memória, de Rodrigo Lopes, publicada em Zero Hora, em 1884 a Sede Dante foi anexada a São Sebastião do Caí como 5º distrito, ganhando o nome de Freguesia de Santa Tereza de Caxias.
DE VILA À CIDADE
A tão esperada emancipação ocorreu em 20 de junho de 1890, quando o governo estadual autorizou a criação do município, agora com o nome de Vila de Santa Tereza de Caxias. O desenvolvimento econômico foi impulsionado pela agricultura, pelo comércio e pelas primeiras indústrias, destacando-se na produção de móveis, vinhos e utensílios metálicos. Durante visita no final do século 19, o presidente estadual Júlio de Castilhos apelidou a cidade de “Pérola das Colônias”.
Com a chegada da ferrovia, em 1910, a vila foi elevada à categoria de cidade, passando a se chamar apenas Caxias. Finalmente, para evitar confusão com o município de Caxias, no Maranhão, o nome Caxias do Sul foi oficializado por decreto federal em 29 de setembro de 1944.
HERANÇA ITALIANA E IDENTIDADE REGIONAL
Caxias do Sul preserva até hoje seus traços culturais herdados da imigração italiana, presentes na gastronomia, no sotaque, nas tradições religiosas e nos eventos como a Festa da Uva. O município se consolidou como um dos principais polos industriais do país, mas sem esquecer suas raízes rurais e históricas.
As reportagens de Leandro Staudt e Emerson Santos (Almanaque Gaúcho), Rodrigo Lopes (Memória), e a produção audiovisual da GZH no programa Aconteceu no RS, ajudam a eternizar e divulgar essa trajetória singular, que transforma Caxias do Sul não apenas em um polo econômico, mas também em um símbolo da força e da resistência da imigração italiana no Brasil.
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