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CNI LANÇA ESTUDO SOBRE FINANCIAMENTO DOS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA NO BRASIL

Estudo da CNI aponta que o Brasil precisa elevar os investimentos em infraestrutura para cerca de 4,65% do PIB ao ano e ampliar a combinação de recursos públicos e privados para superar o déficit histórico do setor.

16/09/2026 às 16:15

E É SÓ NOTÍCIA BOA!

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou, nesta terça-feira (15), o evento de lançamento do estudo “Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil”, que apresenta um amplo diagnóstico sobre os desafios para ampliar os investimentos no setor e aponta caminhos para fortalecer o financiamento de projetos de longo prazo no país.

O levantamento mostra que o Brasil ainda está distante do volume necessário para modernizar sua infraestrutura. Em 2024, foram investidos R$ 266,8 bilhões, equivalentes a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o estudo, seria necessário elevar os investimentos para aproximadamente 4,65% do PIB ao ano, patamar próximo de R$ 550 bilhões, e manter esse esforço durante cerca de duas décadas para reduzir o déficit histórico de infraestrutura do país.

PARTICIPAÇÃO PRIVADA GANHA ESPAÇO

Os dados apresentados evidenciam uma transformação importante na estrutura de financiamento da infraestrutura brasileira. Dos investimentos realizados em 2024, R$ 188,1 bilhões, ou 70,5%, tiveram origem no setor privado, enquanto os investimentos públicos alcançaram R$ 78,6 bilhões.

O avanço das concessões e o fortalecimento do mercado de capitais contribuíram para ampliar a presença privada. As debêntures assumiram papel de destaque no financiamento dos projetos de infraestrutura, demonstrando a crescente importância de instrumentos capazes de mobilizar recursos de longo prazo.

Apesar desse crescimento, a avaliação apresentada no estudo é de que nenhuma fonte de financiamento será capaz, isoladamente, de atender às necessidades brasileiras. O novo ciclo de investimentos dependerá da complementaridade entre recursos públicos e privados, bancos, mercado de capitais, investidores e empresas responsáveis pelos projetos.

SEGURANÇA JURÍDICA E PREVISIBILIDADE

Entre os principais elementos necessários para ampliar os investimentos estão a estabilidade macroeconômica, segurança jurídica, previsibilidade regulatória e existência de projetos bem estruturados.

O presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (Coinfra/CNI) e presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, ressaltou durante o evento a relação direta entre infraestrutura, eficiência logística e competitividade. Para ele, a existência de segurança jurídica é um dos pontos centrais para criar condições favoráveis ao avanço dos investimentos.

O economista Cláudio Frischtak, responsável pelo estudo, também destacou que investimentos em infraestrutura possuem horizontes muito longos e, por isso, dependem de estabilidade econômica, previsibilidade e equilíbrio das contas públicas.

TRANSPORTES E LOGÍSTICA ENTRE OS PRINCIPAIS DESAFIOS

Um dos maiores déficits identificados está justamente em transportes e logística. Dados apresentados no evento indicam investimentos de R$ 79,5 bilhões no segmento, diante de uma necessidade estimada em R$ 287,9 bilhões, representando uma diferença de R$ 208,4 bilhões.

O cenário reforça a necessidade de planejamento de longo prazo, estruturação de projetos e criação de condições para ampliar a participação de diferentes fontes de recursos em obras estratégicas para a competitividade e o desenvolvimento regional.

PROJETOS BEM ESTRUTURADOS SÃO FUNDAMENTAIS

Outro ponto destacado durante o lançamento foi a importância de transformar a disponibilidade de capital em investimentos efetivos. Para isso, o país precisa manter uma carteira contínua de projetos com condições adequadas de financiamento.

A superintendente de Crédito Grandes Empresas do Itaú BBA, Ana Paula Silva da Cruz, destacou que existe capital privado disponível, mas que o aumento dos investimentos dependerá de projetos financiáveis em volume suficiente e da atuação complementar de recursos públicos, privados, bancos e mercado de capitais.

Nesse ambiente, instituições públicas de desenvolvimento também mantêm papel estratégico. O BNDES vem ampliando sua atuação na estruturação de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), contribuindo para reduzir incertezas, aprimorar projetos e criar condições para atrair bancos privados, organismos multilaterais e investidores.

INFRAESTRUTURA COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO

O estudo reforça que a superação do déficit brasileiro de infraestrutura exige uma visão de longo prazo, capaz de integrar planejamento, segurança jurídica, estabilidade econômica, projetos de qualidade e diversificação das fontes de financiamento.

As experiências internacionais analisadas demonstram que países capazes de mobilizar grandes volumes de recursos para infraestrutura combinam instituições confiáveis, mercados de capitais desenvolvidos, instrumentos de financiamento de longo prazo e capacidade técnica para estruturar projetos.

Para o MobiCaxias, o debate sobre o fortalecimento dos investimentos em infraestrutura está diretamente relacionado ao desenvolvimento sustentável, à competitividade dos territórios e à construção de condições capazes de ampliar oportunidades econômicas e sociais. O planejamento de longo prazo e a articulação entre poder público, iniciativa privada, academia e sociedade civil são fundamentais para transformar projetos estratégicos em resultados concretos para as cidades e regiões.

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