COMUNIDADE DA UFRGS APOIA A IMPLEMENTAÇÃO DE CAMPUS NA SERRA, MAS HÁ QUESTIONAMENTOS; ENTENDA
UFRGS apresentou proposta de criação de campus na Serra, com seis cursos previstos. Projeto prevê início em 2026, mas enfrenta debates sobre orçamento, demanda e infraestrutura.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) avançou nas discussões sobre a criação de um campus na Serra Gaúcha. A proposta foi apresentada pela reitoria à comunidade acadêmica na sexta-feira (15), em Porto Alegre, e voltou a ser debatida na Assembleia Legislativa do RS na segunda-feira (18). Nesta semana, novas reuniões ocorrem em Porto Alegre e, na sexta-feira (22), o tema será tratado em audiência pública na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul.
O projeto prevê a instalação de seis cursos de graduação — Administração, Engenharia Agrícola, Engenharia de Produção Mecânica, Engenharia de Materiais e Manufatura, Ciência de Dados e Pedagogia — com capacidade para atender 2,8 mil estudantes. Para viabilizar a estrutura, seriam necessários 160 professores, 140 técnicos-administrativos e serviços terceirizados.
O investimento estimado para a consolidação da unidade é de R$ 3,17 bilhões. O governo federal se comprometeu a destinar R$ 60 milhões para compra de prédios e equipamentos, valor que a reitoria pleiteia ampliar para R$ 75 milhões. Entre as opções em análise para sediar o campus estão o antigo Campus 8 da UCS, avaliado em cerca de R$ 100 milhões, e um prédio no centro de Caxias, estimado em pouco mais de R$ 40 milhões.
De acordo com estudo elaborado pela Comissão de Assessoramento para Criação e Instalação do Campus Serra, o aumento das matrículas escolares na região entre 2019 e 2023 e o crescimento populacional, impulsionado pela migração em busca de emprego, demonstram a demanda existente. A expectativa é de que o Conselho Universitário da UFRGS delibere sobre o projeto até outubro, permitindo o início das aulas em março de 2026.
Apesar da receptividade positiva, a proposta recebeu ponderações da comunidade acadêmica. Sindicatos e professores destacaram que o projeto não soluciona os problemas financeiros da universidade, que enfrenta carências de infraestrutura em seus campi atuais, como falhas de segurança e manutenção. Questionamentos também foram levantados sobre a real demanda de estudantes, uma vez que a região já conta com cursos semelhantes no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).
Estudantes e técnicos manifestaram apoio ao projeto, destacando o avanço que a presença da UFRGS representaria para a Serra. Por outro lado, apontaram preocupações com transporte, assistência estudantil e sustentabilidade orçamentária. A decisão final sobre a criação do campus caberá ao Conselho Universitário, que analisará a viabilidade acadêmica, financeira e estrutural da proposta nos próximos meses.
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