EM AUDIÊNCIA SOBRE FERROVIAS, GOVERNOS DO SUL PEDEM ADIAMENTO DO LEILÃO DA MALHA SUL
Audiência pública reuniu 50 participantes; a maioria pediu o adiamento do leilão até a conclusão de um novo estudo....
É SÓ NOTÍCIA BOA!
Foram quase seis horas de audiência pública para a apresentação e o recebimento de contribuições sobre a concessão dos corredores ferroviários da Malha Sul. O evento, acompanhado pela coluna, ocorreu no Teatro da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), durante a manhã e a tarde desta quarta-feira (29).
Ao todo, 50 pessoas se inscreveram para se manifestar. A maior parte dos participantes criticou a proposta de dividir a Malha Sul em três corredores. Secretários estaduais, deputados, prefeitos, empresários e outros agentes políticos defenderam o adiamento do leilão. Boa pede que se espere a conclusão do estudo que será contratado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A ideia é usar o levantamento como contraponto ao estudo da Infra S.A. no qual o governo federal se baseou para propor o fatiamento dos trechos.
Em sua fala, o vice-governador Gabriel Souza afirmou que a modelagem apresentada subestima o potencial de movimentação de cargas do Rio Grande do Sul, desestimula novos investimentos e precisa ser revista antes da publicação do edital. Acrescentou que a projeção também ignora investimentos em andamento, como a instalação de uma nova planta de biocombustíveis em Cruz Alta, que deverá ampliar a produção e a movimentação de cargas na região.
O vice-governador reiterou a posição contrária ao modelo proposto e pediu que a conclusão do estudo seja aguardada.
— Não queremos fatiar. O estudo ficará pronto provavelmente em novembro. Se fosse possível aguardar até lá, não vejo também prejuízo em uma malha que terá 30 anos de concessão — afirmou.
O coordenador do grupo de trabalho de Ferrovias do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), José Alberto Martins, também defendeu a manutenção da concessão da Malha Sul em um único bloco e criticou a ausência de participação dos Estados na elaboração da proposta.
Ele lamentou o posicionamento recente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) favorável ao modelo apresentado, mas reforça que o Codesul segue unido em defesa de uma alternativa diferente. No evento, não havia representantes do Paraná pelo conselho, atualmente presidido pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior.
— Santa Catarina não vai abandonar nenhum dos seus Estados vizinhos e tenho certeza de que também não será abandonada por eles (o Paraná). O governo do Paraná esteve sempre com a sua assinatura e a sua digital nesse encaminhamento regional — afirmou.
O superintendente de Concessão da Infraestrutura da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e presidente da sessão, Marcelo Fonseca, informou que as contribuições apresentadas durante as audiências públicas serão analisadas. Em relação às críticas ao fracionamento da malha, explicou que a divisão em três contratos busca atrair operadores com perfis compatíveis com corredores de diferentes densidades de carga.
A quarta e última audiência pública sobre a concessão da Malha Sul está marcada para sexta-feira (31), em Florianópolis. As contribuições poderão ser encaminhadas até 10 de agosto.
SAIBA MAIS: