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FEDERASUL ABRE DEBATE SOBRE O FUTURO DAS FERROVIAS NO ESTADO

Federasul acionou o MPF após a retirada de trilhos da malha gaúcha pela Rumo. Mesmo autorizada pela ANTT, a medida gerou forte indignação de lideranças e autoridades, que cobram investimentos, reparos pós-enchentes e definição sobre a concessão.

14/11/2025 às 00:00

A Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo providências urgentes contra a retirada de trilhos e maquinário da malha ferroviária gaúcha para outros Estados, especialmente Santa Catarina. No documento, a entidade alerta para a gravidade da situação e reivindica investigação imediata: “Diante dessas ocorrências, potencialmente graves, encaminha a presente representação ao Ministério Público Federal, pedindo providências desde logo na apuração de tais fatos.”

Apesar de a ação da concessionária Rumo estar amparada por autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a medida gerou indignação entre lideranças empresariais, ferroviários e representantes do setor produtivo. A malha do Rio Grande do Sul, já enfraquecida por anos de subinvestimentos, sofreu danos severos após as enchentes e continua sem recuperação adequada. O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, sintetizou a insatisfação: “Temos de nos livrar deste inferno que é a concessão da Rumo.”

Enquanto o governo federal avalia a renovação do contrato — que expira em 2027 — exige-se que a concessionária apresente um plano sólido de investimentos ou devolva os trechos que não pretende operar. Paralelamente, o governador Eduardo Leite defende que o Estado seja indenizado pelos anos de estagnação, permitindo a entrada de novos operadores e destravando o potencial logístico regional.

Esse debate se conecta diretamente ao entendimento de que transporte e logística são pilares estruturantes para qualquer processo de desenvolvimento urbano e econômico. Não há cidade viva, pujante ou eficiente sem infraestrutura capaz de transportar insumos, mão de obra, mercadorias e serviços. Construções civis, cadeias produtivas, abastecimento de alimentos e combustíveis — tudo depende de um sistema logístico robusto. Sem transporte, não existe construção; sem logística, não existe cidade.

O setor imobiliário é um exemplo emblemático dessa dependência. Sua produção se apoia em duas bases fundamentais: a mão de obra, dispersa por várias regiões, e o abastecimento constante de materiais básicos e industrializados. A logística define custos, viabilidade e competitividade. Onde há gargalo logístico, há atraso, encarecimento e perda de produtividade.

Nesse cenário, as concessões rodoviárias e a qualificação da malha de transportes representam instrumentos decisivos para superar o “custo Brasil”. Estados que apostaram em programas sólidos de concessões — como São Paulo — colheram ganhos expressivos em infraestrutura, competitividade e qualidade de vida. É o caminho mais viável para expandir a capacidade logística do país e destravar ciclos de crescimento.

Além disso, um ecossistema logístico eficiente também depende do engajamento social e institucional. Empresas, entidades e lideranças que se unem pela melhoria da infraestrutura ajudam a construir cidades mais fortes, organizadas e capazes de sustentar novos ciclos de desenvolvimento. O envolvimento ativo da sociedade civil — e não apenas a postura de espectadora — é chave para transformar sonhos em resultados concretos.

No âmbito regional, temas como a modernização dos corredores ferroviários e rodoviários têm sido amplamente debatidos nas agendas de competitividade da Serra. A conjuntura reforça a urgência de políticas integradas que devolvam ao Rio Grande do Sul uma infraestrutura de transporte moderna, eficiente e alinhada às demandas contemporâneas de desenvolvimento.

Se a logística é o esqueleto de uma cidade, sua modernização é o pulso que mantém viva a capacidade de prosperar. E o alerta da Federasul reforça: sem infraestrutura forte, não há futuro competitivo possível


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