INFRAERO PROJETA RECUPERAÇÃO RÁPIDA DE INFRAESTRUTURA E VÊ POTENCIAL PARA NOVOS VOOS NO AEROPORTO DE CAXIAS
Em reunião promovida pelo MobiCaxias e pela Prefeitura, a Infraero anunciou prioridade à revitalização do Aeroporto Hugo Cantergiani, com potencial para ampliar voos, modernizar estruturas e desenvolver projetos de inovação.
É SÓ NOTÍCIA BOA!
Uma reunião sobre a revitalização do Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, organizada pelo MobiCaxias e pela prefeitura, foi o mote para a visita do presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Rogério Barzellay, a Caxias na última quarta-feira (14). A empresa assumiu a operação do espaço em 9 de outubro, e o encontro serviu para troca de informações e alinhamento de expectativas.
Engenheiro mecânico de profissão, Barzellay tem mais de 35 anos de experiência em cargos de gestão na área estatal, especialmente em empresas ligadas ao transporte. Na presidência da Infraero desde 2023, ele comanda o direcionamento da companhia para a aviação regional, área que passou a ser prioritária após ela deixar a gestão dos grandes aeroportos.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, ele revelou que este foco atual da empresa combina muito com as características do Aeroporto de Caxias, o que tornou desejável a parceria para assumir o espaço. Ele classificou a transição de 120 dias com a prefeitura, antiga gestora, como muito tranquila, e ressaltou que a prioridade neste momento inicial está na resolução de problemas de operação e segurança apontados desde 2023 pela Anac, e que hoje limitam a operação do espaço a seis procedimentos diários, incluindo pousos e decolagens.
Embora sem estabelecer prazo, devido às amarras burocráticas com as quais convive uma empresa estatal, Barzellay acredita que as questões pendentes podem ser rapidamente resolvidas, pois há recursos disponíveis e as obras necessárias, como a recuperação completa dos muros, não são de grande porte. A partir disso será possível pedir o levantamento das restrições e pensar em coisas maiores, como a ampliação do terminal de passageiros. Nesse caso, ele afirmou que vai ser importante ouvir a comunidade, para saber o porte da obra a ser feita.
— O que vai caberá à Infraero é ter certeza de que realmente é um projeto que atende a comunidade. No caso do terminal de passageiros, pode ser de um andar único, ou pode ser um terminal onde eu consiga segregar embarque e desembarque para ter um finger (ponte de acesso coberta). O que realmente a população e a comunidade aeroportuária entendem como mais importante para Caxias, sinceramente não sou eu que vou definir. Eu vou seguir aquilo que vier como desejo da população — destacou.
A partir do momento em que as restrições forem levantadas e a melhora da estrutura física já estiver encaminhada, o presidente da Infraero aposta em crescimento na utilização do aeroporto. Embora tenha ressaltado que isso vai depender das condições de mercado, Barzellay vê potencial para, ao menos, dobrar o número de voos comerciais hoje presentes no Hugo Cantergiani:
— Hoje, Caxias tem seis voos (três pousos e três decolagens), mas já teve 24. Eu não sei te dizer se a gente consegue num curto espaço de tempo voltar aos 24 voos, mas tenho certeza de que dos seis para 12, por exemplo, é uma questão de se sentar com a Anac e fazer um cronograma. Claro que isso vai depender da resposta que a sociedade der ao mercado, mas eu vejo muita possibilidade de rapidamente a gente melhorar essa malha aérea e aumentar a quantidade de voos à disposição.
Ele ainda ressaltou que o departamento comercial da estatal já está mapeando novas possibilidades de faturamento no aeroporto, e descartou problemas com o Aeroclube de Caxias do Sul, que opera há décadas no espaço. O presidente disse que entende os temores que surgiram, pois houve dificuldades nas tratativas com o Aeroclube de Canela quando a Infraero assumiu aquele aeródromo. No entanto, classificou a situação em Caxias como totalmente diferente, pois os contatos já mantidos com o aeroclube caxiense têm sido positivos.
Aeroporto se encaixa nos planos de inovação da empresa
O fato de a Infraero passar por um momento de transformação foi ressaltado pelo presidente como motivo para apostar em Caxias. Após deixar os grandes aeroportos nacionais, repassados para concessionários privados, a estatal conta com boa condição financeira, e recebeu a atribuição de cuidar da aviação regional e buscar novos negócios. No entender dele, isso casa com a vocação do aeroporto local.
No passado, a companhia chegou a ter mais de 14 mil funcionários. Hoje são cerca de 3,5 mil, dos quais 2,8 mil estão cedidos. Assim, a ordem, segundo Barzellay, é buscar novas possibilidades, e aí algumas características da Serra, como o poder aquisitivo e o potencial turístico, são ativos importantes. Ele citou como exemplo a possibilidade de explorar novas tecnologias, como os eVTOL, que são as aeronaves elétrica de decolagem e pouso vertical, conhecidas popularmente como carros voadores.
— Estes equipamentos ainda estão em caráter experimental, mas a gente quer sair na frente. Por que não um eVTOL ponto, vamos chamar assim, como um heliponto, para que o turista, em vez de ir para Porto Alegre, desça aqui em Caxias do Sul, pegue um eVTOL e vá para Gramado, Bento ou Nova Petrópolis? Enfim, criar uma coisa que não tem ainda — projetou o presidente.
O uso do espaço do aeroporto para a construção de um centro de treinamento, inclusive em parceria com o aeroclube, também é cogitado:
— Nós temos uma necessidade muito grande de fiscais de pátio, de bombeiros de aeródromo e de agentes de proteção da aviação civil. São pessoas que têm um treinamento específico para o aeroporto. Um exemplo é o bombeiro, que para trabalhar em um aeródromo precisa de um curso de 30 dias, porque o tempo de resposta é diferente. São situações que exigem uma escola de treinamento e é uma coisa que eu acho que Caxias pode, pela área do aeroporto, também se transformar.
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