“O CAOS NÃO INTERESSA A NINGUÉM”: FEDERASUL ALERTA SOBRE INSTABILIDADE POLÍTICA E GOVERNADOR DO RS REFORÇA PREOCUPAÇÃO COM TARIFAS DOS EUA
A Federasul alertou para a instabilidade política e o RS pediu ao governo federal ações urgentes contra tarifas dos EUA que podem gerar perdas de R$ 1,9 bi, afetar 150 mil empregos e setores como calçados, armas, móveis e pescados.
O evento “Tá na Mesa” da Federasul, realizado em 23 de julho de 2025, reuniu cinco deputados federais gaúchos para debater as estratégias necessárias à recuperação do Rio Grande do Sul diante das recentes crises econômicas e institucionais. Participaram Alexandre Lindenmeyer (PT), Luciano Zucco (PL), Marcel van Hattem (Novo), Maurício Marcon (Podemos) e Ronaldo Nogueira (Republicanos). O tom do encontro foi marcado por preocupação com a instabilidade e a necessidade de união de esforços.
Na abertura, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, foi enfático: “O caos não interessa a ninguém.” A frase sintetizou o espírito do evento, voltado à busca de equilíbrio, articulação política e reconstrução econômica. A fala serviu como alerta para o atual cenário de polarização e enfraquecimento das instituições democráticas. Segundo Costa, é necessário resgatar a confiança da sociedade e restaurar a previsibilidade para investidores e empreendedores.
Durante o debate, os parlamentares expuseram visões distintas. Ronaldo Nogueira destacou a urgência de o Estado retomar um propósito estratégico. Luciano Zucco oficializou sua pré-candidatura ao governo estadual em 2026. Marcel van Hattem e Maurício Marcon adotaram tom crítico ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional, alegando que o parlamento perdeu protagonismo e a oposição encontra-se cerceada. Já Alexandre Lindenmeyer contrapôs a narrativa, afirmando que o Brasil vive um momento de crescimento, com destaque para a recuperação da indústria naval e melhoria de indicadores econômicos.
A discussão se dá em meio à inquietação gerada pela nova política tarifária dos Estados Unidos. Em 18 de julho, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, encaminhou um ofício oficial aos ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), solicitando medidas urgentes diante dos impactos que as novas tarifas norte-americanas podem causar à economia gaúcha.
No documento, Leite alertou que a elevação substancial das tarifas sobre produtos brasileiros pode acarretar perdas de até R$ 1,9 bilhão ao Estado, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), tornando o RS o segundo mais afetado do país, atrás apenas de São Paulo. A medida comprometeria cerca de 150 mil empregos ligados à exportação para os EUA.
Entre os setores mais atingidos estão a indústria de armamentos — com destaque para a Taurus, de São Leopoldo, que exporta mais de 80% de sua produção aos EUA —, o setor calçadista, a indústria moveleira, de máquinas e materiais elétricos, além da cadeia pesqueira. Empresas desses segmentos já enfrentam incertezas, suspensões de embarques e risco iminente de paralisação.
Leite ressaltou também a importância histórica do comércio bilateral, lembrando que os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações gaúchas e o terceiro em importações, com cerca de 1.100 empresas do Estado comercializando com o país. Além disso, grandes multinacionais norte-americanas como John Deere, Dell Technologies, GM e Amazon estão consolidadas no Rio Grande do Sul, reforçando os laços de cooperação.
Diante do cenário, o governador propôs três medidas imediatas: a prorrogação da entrada em vigor das tarifas por 90 dias; o reforço da atuação diplomática junto ao governo norte-americano; e a adoção de medidas emergenciais de apoio às empresas mais afetadas, como mecanismos de compensação semelhantes aos usados durante a pandemia de Covid-19.
A convergência entre os discursos do setor empresarial e do poder público estadual deixa claro que o momento exige coordenação, diálogo e rapidez. O “Tá na Mesa” da Federasul foi mais do que uma oportunidade de escuta — tornou-se um apelo coletivo por estabilidade, cooperação internacional e preservação do tecido produtivo e social do Rio Grande do Sul.
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