O FUTURO NOS TRILHOS: MOBILIZAÇÃO REGIONAL SERRA GAÚCHA REÚNE LIDERANÇAS PARA DEBATER A MALHA FERROVIÁRIA E A COMPETITIVIDADE REGIONAL NA MERCOPAR
Painel promovido pela Mobilização Regional Serra Gaúcha e entidades parceiras reuniu representantes da indústria, do setor financeiro e do Governo do Estado para discutir o futuro da Malha Sul e a integração logística do Rio Grande do Sul.
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O futuro das ferrovias do Sul do Brasil e seus impactos sobre investimentos, empregos e competitividade industrial estiveram no centro do painel “O Futuro nos Trilhos: Como a Malha Sul Vai Conectar a Indústria Gaúcha”, realizado na manhã de quinta-feira, 22 de outubro, durante a 35ª Mercopar, em Caxias do Sul.
Promovido pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), em correalização com a Mobilização Regional Serra Gaúcha composta pelas entidades: MobiCaxias, AMESNE, Bento+20, SIMECS, CICs Serra, CISGA, MOVERGS e CIC Caxias, o encontro reuniu representantes do setor produtivo e do Governo do Estado no palco principal do Espaço Conhecimento.
A discussão destacou a necessidade de um sistema ferroviário integrado, conectado às rodovias, aos portos, aeroportos e aos polos industriais. Também evidenciou a importância da participação regional na construção do próximo modelo de concessão da Malha Sul.
Com mediação da jornalista Giane Guerra, do Grupo RBS, participaram Leonardo Busatto, diretor de Planejamento do BRDE; Ruben Bisi, diretor de Relações Institucionais da Marcopolo e representante do Sistema FIERGS,SIMECS,Mobicaxias e de entidades industriais; Marcelo Dondé, representante da Mobilização Regional Serra Gaúcha e coordenador do Mobicaxias; e Clóvis Garcez Magalhães, secretário estadual de Logística e Transportes.
UMA JANELA ESTRATÉGICA PARA AS PRÓXIMAS DÉCADAS
Com o encerramento da atual concessão da Malha Sul, operada pela Rumo, previsto para fevereiro de 2027, o debate ocorre em um momento decisivo. Conforme apresentado no encontro, a perspectiva de uma prorrogação transitória por dois anos permitiria estruturar a nova licitação e aprofundar os estudos sobre as necessidades dos estados do Sul.
A proposta federal em discussão prevê a divisão da rede em três corredores: Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul. Durante o painel, foram apresentados questionamentos sobre os efeitos dessa separação para a integração operacional e a viabilidade econômica dos trechos.
Busatto ressaltou que o planejamento precisa considerar um horizonte de longo prazo. Na avaliação apresentada, o período de transição deve ser aproveitado para construir uma solução que atenda às demandas produtivas, evitando que limitações do modelo atual se prolonguem por uma nova concessão.
REINVESTIMENTO REGIONAL COMO PRINCÍPIO
A destinação dos recursos gerados pela futura concessão foi um dos pontos centrais. Segundo os números apresentados por Busatto, o trecho paranaense teria potencial para gerar aproximadamente R$ 8 bilhões em outorga. Na modelagem federal analisada pelo dirigente, parte desse montante cobriria necessidades de outros trechos, enquanto um excedente estimado em R$ 3,8 bilhões seria destinado à União.
A alternativa defendida no encontro é manter os recursos no próprio sistema ferroviário, financiando sua recuperação, modernização e ampliação.
O princípio apresentado pelo BRDE é que a concessão priorize a eficiência da infraestrutura e o atendimento à economia regional. Para isso, o banco conduz, em articulação com o Codesul, estudos destinados a avaliar demanda, operação, condições da rede e alternativas de organização econômica e regulatória.
A expectativa informada no painel é de um primeiro diagnóstico ainda em 2026, com conclusão dos trabalhos em 2027. Os resultados deverão subsidiar a participação dos estados na discussão do novo modelo.
SERRA GAÚCHA: PRODUÇÃO INDUSTRIAL PRECISA DE CONEXÕES
Marcelo Dondé destacou a vulnerabilidade logística da Serra Gaúcha, cuja ligação ferroviária por Vacaria foi interrompida após as enchentes de 2024. A dependência das rodovias, segundo sua avaliação, compromete as condições de competição das empresas e reforça a urgência de recuperar conexões com a malha nacional.
Como exemplo do potencial da integração entre modais, relatou uma operação realizada em 2022 com componentes plásticos produzidos na região. A carga foi transportada por caminhão até Sumaré, em São Paulo, seguindo por ferrovia até Rondonópolis, no Mato Grosso.
Segundo Dondé, a combinação dos dois modais proporcionou redução de 40% no custo logístico daquela operação, demonstrando uma possibilidade concreta de ganho de competitividade.
Nesse contexto, o Terminal Rodoferroviário de Vacaria foi destacado como uma das pautas estratégicas da Mobilização Regional. Estruturas de transbordo permitem aproximar as empresas dos trilhos, articulando o transporte rodoviário de acesso com percursos ferroviários de maior distância.
CUSTOS E VULNERABILIDADE NO ABASTECIMENTO INDUSTRIAL
Ruben Bisi ressaltou que as dificuldades logísticas afetam tanto o recebimento de matérias-primas quanto a distribuição da produção. Conforme os dados apresentados pelo dirigente, o abastecimento industrial envolve a movimentação anual de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de aço por rodovias, equivalente a cerca de 46 mil viagens de caminhão.
O representante da indústria também chamou atenção para os riscos associados à concentração do transporte em poucas alternativas. Eventos climáticos, interrupções rodoviárias e restrições portuárias podem comprometer o abastecimento e a entrega de mercadorias.
O debate apontou a diversificação dos modais como caminho para ampliar a previsibilidade das operações, reduzir vulnerabilidades e melhorar as condições para produzir e investir no Estado.
CORREDOR ESTRUTURANTE E INTEGRAÇÃO ENTRE REGIÕES
Clóvis Magalhães avaliou que o histórico da concessão foi marcado por desinvestimentos e defendeu maior alinhamento entre a operação ferroviária e o interesse público. O secretário também questionou os riscos de uma rede dividida entre concessões interdependentes, especialmente quanto às condições comerciais e operacionais de passagem das cargas.
Como contribuição à discussão, apresentou o esboço do Corredor Rio Grande Estruturante, organizado em quatro fases. O cenário considera a recuperação de ligações de municípios como Passo Fundo, Cruz Alta, Santa Maria, Cacequi e São Gabriel com o Porto de Rio Grande, avançando para conexões com outras regiões e com o Mercosul.
A proposta foi apresentada como alternativa em discussão. Sua viabilização depende de avaliações técnicas, definição do modelo de concessão e articulação entre os governos e os demais agentes envolvidos, o secretário recebeu a sugestão da Mobilização Regional Serra Gaúcha de inclusão do terminal Rodoferroviário de Vacaria nos estudos atendendo solicitação do representante do Conselho Superior do Mobicaxias Rodrigo Postiglione.
COOPERAÇÃO PARA TRANSFORMAR PRIORIDADES EM SOLUÇÕES
A realização do painel na Mercopar aproximou o planejamento ferroviário das necessidades da indústria e fortaleceu a atuação conjunta das entidades regionais.
Para a Mobilização Regional Serra Gaúcha, o encontro reforça a importância de acompanhar os estudos e participar das decisões sobre a Malha Sul, mantendo em pauta a integração logística e o Terminal Rodoferroviário de Vacaria de forma integrada no futuro ao Aeroporto Regional Da Serra Gaúcha (Vila Oliva) e ao Porto Meridional (Arroio Do Sal).
Mais do que recuperar trilhos, o desafio é construir uma infraestrutura capaz de conectar cadeias produtivas, ampliar o acesso a mercados e sustentar novas oportunidades de desenvolvimento.
A Serra Gaúcha que queremos se constrói com integração, planejamento e mobilização.
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