RA CIC DEBATE TRANSFORMAÇÕES DO MERCADO AUTOMOTIVO E AVANÇO DAS MARCAS CHINESAS NO BRASIL
Vice-presidente da Hyundai Motor Brasil apresentou dados sobre o crescimento das montadoras chinesas, expansão dos veículos eletrificados e desafios de competitividade da indústria nacional durante reunião-almoço da CIC Caxias.
É SÓ NOTÍCIA BOA!
As profundas transformações em curso na indústria automotiva mundial estiveram no centro da Reunião-Almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), realizada nesta segunda-feira, 28 de setembro. O encontro teve como palestrante o vice-presidente e Chief Operating Officer (COO) da Hyundai Motor Brasil, Marcos Fonseca Oliveira.
Durante a apresentação, o executivo trouxe um amplo panorama sobre competitividade, qualidade, inovação e os novos modelos de mobilidade, destacando especialmente o rápido avanço das fabricantes chinesas e dos veículos eletrificados no mercado brasileiro.
Entre janeiro e agosto de 2026, as marcas chinesas comercializaram 349,5 mil veículos no Brasil, crescimento de 150,3% em comparação ao mesmo período de 2025. A participação dessas empresas no mercado nacional passou de 8,9% para 18,5%.
O movimento já provoca alterações importantes no ranking do setor. A BYD alcançou a quarta posição entre as marcas mais vendidas no País, com 146.997 unidades e participação de 7,8% do mercado, enquanto a Hyundai aparece na quinta colocação, com 127.014 veículos comercializados e 6,7% de participação.
Os números apresentados também demonstraram uma recuperação das vendas nacionais. Até agosto, foram comercializados 1,887 milhão de veículos, crescimento de 19,8% frente às 1,575 milhão de unidades registradas no mesmo período de 2025.
Apesar do avanço, Oliveira ressaltou que o mercado brasileiro ainda permanece distante dos níveis atingidos no início da década passada. Em 2013, o País chegou a comercializar 3,713 milhões de veículos, enquanto em 2025 foram registradas 2,548 milhões de unidades.
Na avaliação apresentada pelo executivo, o atual volume aproxima o Brasil dos patamares observados em 2007 e 2008, demonstrando o desafio existente para que o setor recupere escala, capacidade produtiva e competitividade.
Outro ponto destacado foi a estrutura das fabricantes chinesas, beneficiadas pela grande escala do mercado asiático e pelo elevado grau de verticalização de suas cadeias produtivas, fatores que contribuem para velocidade de desenvolvimento, redução de custos e maior competitividade global.
A transformação tecnológica do setor também aparece no crescimento dos veículos elétricos e híbridos.
Entre janeiro e agosto deste ano, foram comercializadas 328.515 unidades eletrificadas no Brasil, frente a 126.458 no mesmo período do ano anterior, representando crescimento de 159,8%.
Com isso, a participação dos veículos eletrificados passou de 8% para 17,4% do mercado brasileiro, evidenciando uma mudança relevante no perfil da mobilidade e também novos desafios para indústria, fornecedores, infraestrutura, tecnologia e qualificação profissional.
Durante a palestra, Marcos Fonseca Oliveira também apresentou a trajetória da Hyundai como exemplo de transformação empresarial baseada em qualidade.
Após enfrentar dificuldades relacionadas à percepção de seus produtos durante a década de 1990, a companhia ampliou investimentos em pesquisa e desenvolvimento, inovação, materiais, processos industriais, fornecedores e serviços.
A qualidade passou, assim, a ocupar posição estratégica dentro da organização, contribuindo para ampliar a presença internacional da marca e sua competitividade.
No Brasil, a Hyundai mantém desde 2012 seu complexo industrial em Piracicaba, São Paulo, com capacidade de produção de 210 mil veículos por ano em três turnos. A operação reúne 3.257 empregos diretos e acumula aproximadamente US$ 1,3 bilhão em investimentos desde sua implantação.
O encontro também proporcionou uma visão sobre as tecnologias que deverão transformar ainda mais o setor nas próximas décadas.
Para 2040, a estratégia apresentada pelo Hyundai Motor Group está estruturada em três grandes áreas: automóveis autônomos, Mobilidade Aérea Avançada e robótica.
Entre as soluções em desenvolvimento estão veículos autônomos, tecnologias de mobilidade aérea, robôs para diferentes aplicações industriais e cotidianas e exoesqueletos.
A evolução demonstra que o setor automotivo caminha cada vez mais para uma integração entre manufatura avançada, inteligência tecnológica, automação e novos conceitos de mobilidade.
Na abertura da reunião-almoço, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, destacou que a concorrência internacional é importante para estimular inovação e eficiência, mas defendeu atenção às condições em que a indústria instalada no Brasil precisa competir.
Entre os principais desafios mencionados estão carga tributária, infraestrutura, burocracia, custo de capital e instabilidade regulatória.
Rezler também alertou para os efeitos que a perda gradual de componentes, fornecedores, investimentos e empregos pode gerar sobre as cadeias industriais brasileiras, especialmente em regiões fortemente ligadas à atividade industrial.
A discussão possui especial relevância para Caxias do Sul e para a Serra Gaúcha, região que abriga um dos mais importantes polos metalmecânicos, automotivos e de manufatura do País.
O debate reforça a necessidade de acompanhar as transformações tecnológicas e econômicas globais, ao mesmo tempo em que se constroem ambientes capazes de estimular inovação, produtividade, qualificação profissional, infraestrutura e competitividade empresarial.
A realização da RA integra o calendário de encontros promovidos pela CIC Caxias para aproximar lideranças empresariais, especialistas e a comunidade regional de temas estratégicos para o desenvolvimento econômico de Caxias do Sul e da Serra Gaúcha.
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