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SÃO CHICO 2050: COMO A CIDADE DESENHA CRESCIMENTO E PROJETA SE TORNAR REFERÊNCIA EM PLANEJAMENTO

Ações integradas para os próximos 24 anos preveem transformar o município em ambiente equilibrado e estruturado, turisticamente atrativo e com qualidade de vida para os moradores.

18/08/2026 às 09:13

É SÓ NOTÍCIA BOA!

Como será São Francisco de Paula daqui a 25 anos? A estruturação a médio e longo prazo foi o que norteou um estudo em formato inédito, que traça os caminhos para o município se tornar referência em planejamento. Situada entre as regiões Metropolitana, Hortênsias e Serra, a cidade tem diversas possibilidades para definir seu papel intrarregional nos próximos anos.

Desde 2024, a prefeitura e a Universidade de Caxias do Sul (UCS) trabalham no Plano São Chico 2050. A ação prevê a integração entre todos os setores da administração, além de participação dos conselhos municipais.

Com previsão de entrega em setembro, o plano guiará diferentes projetos, desenvolvidos em 11 áreas. Entre elas, mobilidade urbana, turismo, crescimento urbano organizado, sustentabilidade, adaptação às mudanças climáticas e economia.

Na prática, o plano da UCS servirá como um documento orientador para a tomada de decisão nas próximas décadas. No entanto, não se trata de ações isoladas nas secretarias, mas, sim, trabalhadas de forma intersetorial.

— Essencialmente, projetamos o futuro da cidade a partir de programas que influenciam diversas áreas. A inovação do plano é pensar nos projetos de forma integrada, conectando os temas entre as secretarias e não sendo desenvolvidos isoladamente — detalha Juliano Rodrigues Gimenez, coordenador geral do projeto e professor da UCS.

Crescer de forma coordenada e com objetivos claros foi o que motivou a prefeitura a buscar a universidade. Conciliar as vocações de São Francisco de Paula, com a matriz econômica, habitação, equilíbrio ambiental, entre outras áreas, é um exercício complexo. Para isso, outros grupos foram convocados a participar.

— Os conselhos municipais, como da Cultura, do Turismo, Meio Ambiente, também participaram das etapas da construção do plano. Tem levantamento do patrimônio material e imaterial da cidade. Estamos trabalhando com os distritos, com os bairros — detalha Rafael Vieira Castello Costa, secretário de Turismo.

Um dos objetivos do projeto é ajudar a definir qual será o posicionamento de São Francisco de Paula no futuro. Cercado por polos consolidados, como Gramado, Canela e Caxias do Sul, o município busca construir uma identidade própria, baseada em atributos apontados pela própria comunidade, como a natureza, a disponibilidade de água, a cultura local, a qualidade de vida e o turismo ligado à contemplação e às experiências ao ar livre.

O turismo é uma das apostas para impulsionar a economia e reforçar a identidade de São Francisco de Paula. Junto do lançamento do plano, está prevista a apresentação de uma nova marca para a cidade. O plano também prevê melhorias em acessibilidade, sinalização e infraestrutura para visitantes, bem como a capacitação de guias, operadores e servidores que atuam no setor.

A estratégia inclui ainda um plano de comunicação e posicionamento de marca, que busca organizar a forma como o município será promovido nos próximos anos. Além da nova identidade visual, a proposta contempla ações de marketing turístico e a consolidação da chamada Rota das Barragens, eixo turístico que conecta as barragens do Blang, Divisa e Salto e é considerado uma das principais áreas de expansão do setor no município.

—  A ideia não é apenas atrair mais visitantes. Queremos valorizar aquilo que já faz parte da identidade de São Chico, como o turismo de natureza, a gastronomia regional, o Queijo Artesanal Serrano, o Ronco do Bugio e os atrativos dos nossos distritos. O plano busca organizar e potencializar essas características de forma estratégica e responsável — afirma Costa

No setor de mobilidade urbana, o foco será na facilidade da circulação para além dos carros. Passeios públicos estruturados em regiões de grande fluxo, ciclovias padronizadas que interligam diferentes pontos, sistema de transporte coletivo e leis para a circulação de cargas estão entre as proposições do plano.

A adaptação da cidade frente às mudanças climáticas é um dos eixos mais robustos do projeto. A proposta apresentada pela UCS inclui estratégias para reduzir emissões de gases de efeito estufa, ampliar a resiliência do município diante de eventos climáticos extremos e orientar investimentos em infraestrutura baseada na natureza.

Os estudos também apontaram características específicas da realidade local. Diferentemente de municípios mais suscetíveis a enchentes, São Francisco de Paula enfrenta impactos frequentes associados a vendavais, danos em estradas e pontes e ao isolamento de comunidades rurais durante eventos climáticos severos. Essas constatações passaram a orientar medidas ligadas à Defesa Civil, à mobilidade e ao planejamento urbano.

O eixo ambiental também prevê o mapeamento de moradores que vivem em áreas próximas a cursos d'água, além da delimitação de áreas de preservação permanente e da identificação de situações de vulnerabilidade social. O plano estabelece ainda diretrizes alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, com programas de capacitação para servidores e criação de indicadores de acompanhamento.

Para além de manter as secretarias em colaboração, consolidar o plano independentemente dos governos é um dos maiores desafios e uma das construções mais complexas. O primeiro passo foi dado durante a concepção do projeto, pela própria universidade.

Para cada produto, foi elaborada uma minuta a ser desenvolvida e, posteriormente, apresentada como projeto de lei na Câmara de Vereadores. Documentos estratégicos, como o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e o Plano Diretor de Drenagem Urbana, estão entre as proposições desenvolvidas ou atualizadas pela UCS.

— Os vereadores têm sido muito participativos no processo. Teremos audiências públicas para apresentar alguns desses projetos. Além disso, não se trata de um pacote que vai chegar de qualquer jeito no Legislativo. Existe uma estruturação acadêmica, baseada em pesquisa e estudos — argumenta Costa.

A proposta também prevê a criação de mecanismos permanentes de governança, com participação dos conselhos municipais e acompanhamento contínuo das metas estabelecidas. A intenção é fazer com que o Plano São Chico 2050 seja tratado como uma política de município, e não apenas como uma iniciativa de uma gestão específica.

A participação conjunta, aliada ao arcabouço legal que está sendo construído, é o que dá confiança ao atual governo para colocar o plano em ação e buscar garantir sua continuidade até 2050.

 

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